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O Folclore na Cultura Brasileira

  • 20 de jun. de 2024
  • 5 min de leitura

O folclore brasileiro é uma das mais ricas e diversificadas expressões culturais do mundo, refletindo a vasta mistura de etnias, crenças e tradições que compõem a identidade do Brasil. O termo "folclore" refere-se ao conjunto de tradições, lendas, mitos, músicas, danças, festas e outras manifestações culturais transmitidas de geração em geração, muitas vezes de forma oral.


Se tratando de origem e diversidade, a formação do folclore brasileiro é resultado da confluência de diversas influências culturais: indígenas, africanas e europeias. Os povos indígenas, que habitavam o território brasileiro antes da chegada dos colonizadores, contribuíram com suas lendas, mitos e tradições orais. A chegada dos portugueses e, posteriormente, dos africanos trazidos como escravos, adicionou novos elementos a esse caldeirão cultural.


No que tange a mitos e lendas folclore brasileiro é repleto de mitos e lendas que varrem todas as regiões do país. Saci-Pererê, é um menino negro, travesso e de uma perna só, que usa um gorro vermelho e um cachimbo. Ele adora pregar peças nas pessoas, como esconder objetos e fazer tranças nas crinas dos cavalos. Curupira, é um protetor das florestas com cabelos de fogo e pés virados para trás. Ele defende a fauna e a flora das agressões dos humanos.

Boto Cor-de-Rosa é um golfinho amazônico que se transforma em um belo jovem nas festas juninas para seduzir as moças e, depois, retornar ao rio. Iara é a sereia das águas amazônicas, uma mulher bonita e encantadora que atrai os homens com seu canto hipnótico, levando-os para o fundo dos rios. Boitatá, por sua vez, é uma serpente de fogo que protege as matas e campos contra aqueles que os incendeiam.


O Brasil é famoso por suas festas populares, que misturam religiosidade e celebração. Entre as mais conhecidas estão carnaval, festa junina e bumba meu boi. Pode-se dizer que a festa mais famosa do Brasil é o carnaval, celebrada com desfiles, blocos de rua e festas por todo o país. O carnaval do Rio de Janeiro é especialmente famoso por suas escolas de samba. Já a festa junina, celebrada em junho, homenageia santos como São João, Santo Antônio e São Pedro. Inclui danças típicas como a quadrilha, fogueiras, comidas tradicionais e muitas brincadeiras. Em decorrência, bumba meu boi é uma festa tradicional do Nordeste que conta a história da morte e ressurreição de um boi, misturando elementos dramáticos, musicais e de dança.


A música e a dança também são elementos essenciais do folclore brasileiro. Cada região do país possui suas próprias tradições musicais e dançantes. Como o samba, originário do Rio de Janeiro, é o ritmo mais conhecido do Brasil, associado principalmente ao carnaval. O forró, que é uma dança e estilo musical do Nordeste, normalmente acompanhada por instrumentos como a sanfona, o triângulo e a zabumba. O frevo, que surge como uma dança vibrante e acelerada, típica do carnaval de Pernambuco, conhecida por seus passos rápidos e acrobáticos. Ou até mesmo, o maracatu, que é uma forma de música e dança afro-brasileira, também originária de Pernambuco, que mistura ritmos africanos com elementos da cultura indígena e portuguesa.



Mas claro, o folclore brasileiro não está restrito às tradições e festas populares; ele permeia a cultura popular contemporânea, incluindo literatura, televisão, cinema e artes plásticas. Escritores como Monteiro Lobato contribuíram para a disseminação do folclore com suas obras, como a série de livros do Sítio do Pica Pau Amarelo, que introduzem personagens folclóricos a novas gerações.


Na televisão, programas infantis e novelas frequentemente incorporam elementos do folclore, mantendo essas tradições vivas na consciência coletiva. Enquanto isto, cinema brasileiro desempenha um papel significativo na popularização e preservação do folclore nacional. Filmes como "O Auto da Compadecida" e "O Saci" são exemplos emblemáticos dessa conexão entre a sétima arte e as tradições populares, trazendo elementos do folclore e da cultura regional para um público mais amplo e diversificado.


"O Auto da Compadecida" é uma obra-prima do cinema brasileiro, baseada na peça teatral homônima escrita por Ariano Suassuna. Lançado em 2000 e dirigido por Guel Arraes, o filme combina elementos de comédia, drama e fantasia para contar a história de João Grilo e Chicó, dois nordestinos pobres que enfrentam uma série de situações inusitadas e desafiadoras.


A trama é repleta de personagens e situações que remetem ao folclore e à cultura popular do Nordeste brasileiro. O filme utiliza o cordel, uma forma de literatura de cordel típica do Nordeste, para narrar suas histórias. Elementos como a religiosidade popular, a figura do cangaceiro e o misticismo são abordados de forma cômica e crítica, refletindo a realidade e as crenças do povo nordestino.


A inclusão de figuras como Nossa Senhora (A Compadecida) e o Diabo no julgamento final dos personagens mescla o sagrado e o profano, uma característica marcante do folclore brasileiro. "O Auto da Compadecida" foi aclamado tanto pela crítica quanto pelo público, tornando-se um marco na cinematografia nacional e contribuindo significativamente para a valorização da cultura nordestina.


Já "O Saci", dirigido por Rodolfo Nanni e lançado em 1951, é um dos primeiros filmes brasileiros a trazer uma figura do folclore nacional para o cinema. Baseado no livro "O Saci" de Monteiro Lobato, o filme narra as aventuras de Pedrinho, Narizinho e Emília, que encontram o travesso Saci-Pererê.


O Saci-Pererê é um personagem icônico do folclore brasileiro, conhecido por suas travessuras e pela habilidade de desaparecer e reaparecer em outro lugar. A adaptação cinematográfica captura a essência do personagem e das histórias criadas por Lobato, apresentando-o a um público que, muitas vezes, só conhecia essas figuras através da literatura ou das tradições orais.


O filme "O Saci" desempenhou um papel crucial na popularização do personagem e ajudou a estabelecer uma conexão mais forte entre o público urbano e as tradições folclóricas do interior do Brasil. Ao levar o Saci para as telas, o cinema brasileiro não apenas preservou essa figura folclórica, mas também a revitalizou, apresentando-a de uma forma que apelava tanto às crianças quanto aos adultos.


Além de "O Auto da Compadecida" e "O Saci", outros filmes brasileiros também exploram o folclore e as tradições culturais. "Macunaíma" (1969), dirigido por Joaquim Pedro de Andrade e baseado no romance homônimo de Mário de Andrade, é um exemplo notável. A história do "herói sem nenhum caráter" explora o sincretismo cultural brasileiro, misturando elementos indígenas, africanos e europeus em uma narrativa única.


Outro exemplo é "O Homem que Virou Suco" (1980), dirigido por João Batista de Andrade, que, embora não seja uma adaptação direta do folclore, retrata a vida e os desafios de um poeta popular do Nordeste, trazendo à tona aspectos da cultura e da resistência popular.


A representação do folclore no cinema brasileiro tem um impacto duradouro na forma como essas tradições são percebidas e valorizadas. Filmes que incorporam elementos do folclore ajudam a preservar essas histórias e tradições, transmitindo-as para novas gerações de espectadores. Além disso, eles oferecem uma oportunidade para que o público urbano se reconecte com suas raízes culturais e para que pessoas de outras partes do mundo conheçam a riqueza do folclore brasileiro.

Essas produções cinematográficas contribuem para a construção de uma identidade cultural mais coesa e orgulhosa, mostrando que o folclore é uma parte vital e vibrante da vida brasileira. Ao trazer as lendas e mitos para as telas, o cinema brasileiro não apenas entretém, mas também educa e inspira, mantendo viva a chama das tradições populares.


A preservação do folclore brasileiro é fundamental para manter viva a identidade cultural do país. Diversas iniciativas, tanto governamentais quanto da sociedade civil, buscam documentar, promover e ensinar essas tradições às novas gerações. Escolas, museus e grupos culturais desempenham um papel crucial na educação e difusão do folclore.


O folclore brasileiro é uma riqueza inestimável que reflete a diversidade e a criatividade do povo brasileiro. Com suas lendas fascinantes, festas vibrantes, músicas contagiantes e danças envolventes, ele continua a ser uma parte vital da vida e da cultura do Brasil, unindo passado e presente em uma celebração contínua da identidade nacional. A valorização e preservação desse patrimônio são essenciais para que ele continue a inspirar e encantar as futuras gerações.


Por Helida Faria Lima

 
 
 

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