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Entre o Idealismo Romântico e a Concupiscência Material: Uma Interpretação de "Madame Bovary"

  • 12 de jun. de 2024
  • 2 min de leitura

Gustave Flaubert, em sua célebre obra "Madame Bovary", lança uma penetrante crítica à educação moral e suas insuficiências, através da narrativa trágica de Emma Bovary. Esta personagem, moldada por leituras românticas que distorcem sua percepção do mundo, personifica dois grandes imperativos morais: os perigos do romantismo exacerbado e a insatisfação consumista. Flaubert, com sua escrita requintada, desvela as consequências nefastas de uma educação que privilegia fantasias idealizadas em detrimento de uma visão prática e realista da existência humana.


O primeiro imperativo moral explorado por Flaubert é o perigo do romantismo exacerbado. Desde a juventude, Emma Bovary é enredada em narrativas românticas que lhe prometem uma vida repleta de emoções arrebatadoras e amores perfeitos. Estas leituras, longe de prepará-la para as agruras e banalidades da vida cotidiana, incutem nela expectativas irreais e uma insaciável sede por uma existência idealizada. Flaubert, com sua sagacidade crítica, adverte contra uma educação que fomenta tais fantasias, negligenciando a preparação para as vicissitudes da vida real. Emma se torna, assim, um trágico exemplo das ilusões forjadas pelo romantismo, em sua incessante e vã busca por uma felicidade que lhe escapa continuamente.


O segundo imperativo moral é a insatisfação e o consumismo desenfreado que permeiam a existência de Emma. Incapaz de encontrar contentamento na vida doméstica, ela procura preencher seu vazio emocional através de aquisições materiais e relações extraconjugais. Este comportamento é sintomático de uma falha crucial em sua educação moral: a incapacidade de apreciar o que se tem e de gerir os desejos de maneira sensata. Flaubert expõe, com crueza, como a busca incessante por gratificação imediata, desprovida de uma reflexão profunda sobre os verdadeiros valores e as consequências das próprias ações, conduz à desgraça pessoal e à profunda infelicidade. A vida de Emma, marcada por dívidas insustentáveis e desilusões amorosas, é um testemunho eloquente do preço que se paga por uma moralidade mal alicerçada.


Em decorrência, "Madame Bovary" oferece uma lição perene sobre os perigos de uma educação que não equilibra aspirações românticas com uma compreensão realista do mundo, e que falha em ensinar a apreciação do presente e a gestão dos desejos. A tragédia de Emma Bovary serve como um poderoso lembrete da importância de uma educação moral robusta, que prepare o indivíduo para enfrentar as adversidades da vida com sabedoria e equilíbrio. Flaubert, com sua perspicácia literária, não apenas narra uma história de desilusão pessoal, mas também oferece uma crítica duradoura sobre as falhas da sociedade em cultivar uma moralidade que verdadeiramente sustente a felicidade humana.


Por Helida Faria Lima

 
 
 

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