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A Dialética da Moralidade em "Grande Sertão: Veredas"

  • 12 de jun. de 2024
  • 2 min de leitura

Atualizado: 15 de jun. de 2024

"Grande Sertão: Veredas", obra magna do escritor brasileiro Guimarães Rosa,desvela, em meio aos áridos cenários do sertão, uma intricada teia de questões morais que desafiam a compreensão simplista do certo e do errado. Sob a égide da narrativa de Riobaldo, o protagonista-narrador, emergem premissas que transcendem o mero julgamento moral, convidando-nos a uma reflexão profunda sobre as complexidades éticas que permeiam as relações humanas.


No universo literário de Guimarães Rosa, as premissas morais se entrelaçam como os caminhos sinuosos das veredas sertanejas. A dualidade entre o bem e o mal, longe de se apresentar em dicotomia, revela-se uma paisagem multifacetada, onde a virtude e a corrupção se mesclam nos corações dos personagens. Riobaldo, em sua jornada existencial, enfrenta dilemas morais que transcendem a simples escolha entre o certo e o errado, evidenciando a fluidez e a ambiguidade das fronteiras éticas.


A moralidade em "Grande Sertão: Veredas" não se restringe aos atos isolados dos personagens, mas é profundamente influenciada pelo contexto social e cultural do sertão. A honra, a lealdade, a vingança e a justiça adquirem significados distintos nesse cenário árido, em que as tradições e as crenças populares moldam as ações e os valores dos habitantes da região. Assim, a compreensão plena das escolhas morais dos personagens requer uma imersão na complexidade das relações sociais e psicológicas que os envolvem.


“Grande Sertão: Veredas” nos convida a transcender os limites de uma moralidade simplista e dicotômica, oferecendo-nos um retrato vívido das contradições e das nuances éticas que permeiam a condição humana. Ao mergulharmos nas páginas desse romance magistral, de escrita singularmente perfeita, somos desafiados a abandonar os julgamentos precipitados e a abraçar a complexidade moral que caracteriza nossas próprias vidas. Pois é na compreensão compassiva das motivações e das circunstâncias que encontramos o verdadeiro fulcro da moralidade, uma trilha sinuosa que nos conduz à nobre essência da existência humana - afinal, "sertão: é dentro da gente".


Por Helida Faria Lima

 
 
 

1 comentário


Membro desconhecido
16 de jun. de 2024

Ótimo texto! 👏👏A vida não é sempre preto no branco

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