A Desproporcionalidade: Um Mal Maior que a Imoralidade
- 12 de jun. de 2024
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A desproporcionalidade, como conceito filosófico e ético, detém uma gravidade intrínseca que, muitas vezes, supera a própria imoralidade. A imoralidade, definida como a transgressão dos padrões éticos e morais estabelecidos pela sociedade, certamente carrega consigo um peso considerável. No entanto, a desproporcionalidade, que se refere à ausência de equilíbrio e justa medida nas ações e reações, pode, de fato, causar danos mais profundos e duradouros ao tecido social e à ordem moral do que as meras infrações morais isoladas.
Hodiernamente, a desproporcionalidade mina os alicerces da justiça, um dos pilares fundamentais de qualquer sociedade civilizada. A justiça, segundo Aristóteles, é a virtude que consiste em dar a cada um o que é devido. Quando essa justa medida é subvertida, seja pela severidade excessiva ou pela indulgência inapropriada, o equilíbrio da justiça é destruído. Tal desequilíbrio pode levar à sensação de injustiça e ressentimento entre os cidadãos, corroendo a confiança nas instituições sociais e políticas. Sem essa confiança, a coesão social se desintegra, dando lugar ao caos e à desordem.
Outrossim, a desproporcionalidade exacerba as desigualdades e iniquidades existentes, amplificando as tensões e conflitos sociais. Quando as respostas às ações individuais são desproporcionais, seja em termos de punição ou recompensa, cria-se um ambiente onde a arbitrariedade reina. Esta arbitrariedade, por sua vez, pode resultar em privilégios injustificados para alguns e em opressão indevida para outros. Tal dinâmica gera uma espiral de animosidade e divisão, fomentando um clima de hostilidade e fragmentação social.
Em adição, a desproporcionalidade tem um efeito corrosivo sobre a moralidade coletiva. Enquanto a imoralidade pode ser reconhecida e corrigida através de mecanismos de reabilitação e reforma, a desproporcionalidade muitas vezes escapa à detecção imediata, enraizando-se nas práticas cotidianas e nas estruturas institucionais. Este enraizamento insidioso perpetua um ciclo vicioso de injustiça e desigualdade, dificultando os esforços de restauração da moralidade e da equidade. Assim, a desproporcionalidade não apenas reflete uma falha ética, mas também perpetua e agrava essa falha ao longo do tempo.
É, portanto, crucial reconhecer que a desproporcionalidade, ao desvirtuar a noção de equidade e equilíbrio, subverte a própria essência da moralidade. A moralidade, em sua forma mais elevada, busca harmonizar os interesses individuais com o bem comum, promovendo um estado de coexistência justa e equânime. Quando a desproporcionalidade entra em cena, essa harmonia é rompida, resultando em um cenário onde a justiça é obscurecida e a moralidade é distorcida. Em suma, a desproporcionalidade representa uma ameaça mais insidiosa e perniciosa do que a imoralidade, pois ataca o próprio cerne do que significa ser justo e moral em uma sociedade civilizada.
Por Helida Faria Lima

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